sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O EQUILIBRISTA
O equilibrista e sua bola de cristal! O equilibrista escorrega a sua bola de cristal a noite toda por seu corpo. Este é o seu jeito de dominar o caos; então o equilibrista tem, sob seus pés, os passos da vida. A bola o acompanha em uma contradança; o mundo está caindo, o mundo está sorrindo, ele não se importa realmente, pois, está concentrado em manter o controle.
Polaco, como era conhecido, era moço bem apessoado e de boa índole, costumava passar muitas madrugadas nos faróis da capital Paulista com roupas características a de um circense; os remendos xadrez, costurados de maneira assimétrica, bordavam uma calça surrada, coberta por um fraque que, apesar de antigo, ainda mantinha certa elegância. A costura de sua roupa era justa ao corpo na medida em que a vestimenta não atrapalhasse sua performance. Trabalhava todas as manhãs em um almoxarifado qualquer e empoeirado organizando peças das quais ele não entendia sua função. A vida não lhe era fácil, a cidade era barulhenta, as linhas de metrô congestionadas e as ruas perigosas; isso tudo não se comparava aos seus dramas pessoais, é de se dizer que outro em seu lugar logo poria a lamentar-se, mas o rapaz mantinha-se sempre calmo. À noite, talvez para fugir dos problemas, talvez por necessidade, ia ao mesmo farol exibir seus talentos com malabares. O equilibrista parecia brincar com as leis da física; era naquele instante em que o Polaco sentia-se um deus desafiando a gravidade, era naquele instante que ele saia de si para virar arte. Quando falo sobre a hipótese de Polaco estar lá, naquele farol, por necessidade, me refiro mais a sua própria ânsia pelo espetáculo do que pelos míseros trocados que recebia. Lá seu mundo estava em ordem. Dos malabares, seu preferido era sua bola de cristal, ela era seu globo – ele dizia – e a este globo, quem determina o destino sou eu. Sua bola não era como costumava ser a de seus outros colegas de ofício, sua composição vítrea não era densa e resistente como as demais. Quando ainda era um menino, a encontrara dentre os enfeites da antiga casa em que morava e desde então sua companheira passou a percorre-lhe o corpo diariamente. É provável que o seu material não fosse feito de cristal verdadeiro, mas sua geometria específica lhe atribuía uma postura cristalina que reluzia um prisma de cores sob a luz, como uma bolha de sabão. Ao cristal, sua bola também pode ser comparar em sua fragilidade de modo que, com apenas um deslize, ela se quebraria para sempre em milhares de estilhaços. Polaco, entretanto, não precisava preocupar-se com isso; exercia sua graça de equilibrista com maestria, de todas as suas apresentações nunca havia se quer titubeado em algum movimento.
Certa vez, Polaco envolveu-se com umas dessas meninas que vagueiam pelas ruas pedindo esmolas, e passara a frequentar as redondezas de seu farol. Era uma garota com rosto de cigana, de olhos castanhos e cabelos longos encaracolados. Amara cheirava incenso, usava um grande vestido branco com rendas em sua barra, brincava de ler cartas e quiromancia, ganhava a vida no centro da cidade assustando a gente humilde com falsas profecias – uma bênção em troca de dinheiro – era sua bandeira. Ai, se não lhe dessem o dinheiro; uma praga lhe seria rogada e dentro de sete dias você perderia até os cabelos.
E foi deste trejeito cigano, deste cabelo encaracolado, do balançar de seus quadris, que Polaco, não contente com todo seu malabarismo, ousou equilibrar também seus passos nas tranças de Amara. Daqui, do lado de cá, de onde observei o talento de Polaco e pude trocar-lhe algumas palavras enquanto servia-lhe um pingado, testemunhei sua alegria e seu declínio por conta da moça. Nunca achei que ela fosse gente confiável, o modo como sorria para ele enquanto enrolava seus dedos no cabelo, parecia-me traiçoeiro. Infelizmente, eu não estava enganado, estes anos todos não foram passados em vão por mim, aferindo-me apenas rugas. Não houve nada que pudesse ser feito, Polaco estava embevecido, travava conversas ofegantes como todo jovem apaixonado e irritava-se com qualquer tipo de alerta. Carolina, aquela jovem que trabalha no caixa, disfarçava e punha-se a chorar todos os dias em nossa dispensa por conta de Polaco. Carolina é uma moça decente, não é inferior a Amara em beleza, mas tornava-se insossa diante da postura cigana de Amara. Eles, Carolina e Polaco, eram amigos muito próximos, todos os dias quando fechávamos, Carolina sentava-se na esquina para ver suas pequenas apresentações entre o abrir e fechar dos faróis. A amiga passou a alerta-lo também, o equilibrista, por sua vez, cego de amor, atribuía seus comentários ao ciúmes, acabaram por ter uma severa discussão e rompendo com a amizade. Amara também não gostava dessa relação – ele dizia.
Não demorou muito para Amara estar nos braços de outro. Ainda lembro-me bem; no meio de uma de suas apresentações, a jovem passou aos sorrisos com outro rapaz, no mesmo instante, Polaco ficou paralisado. Diante das lanternas dos carros que resplandeciam suas lágrimas, o equilibrista parou seu show, estendeu o braço e abriu suas mãos para que sua bola de cristal caísse. Os estilhaços sobrepuseram-se em toda sua frágil corda. Cortaram-na! O equilibrista caiu. Polaco agachou-se para pegar seus cacos, foram as pequenas frações da sua bola, agora desfeita, que cortaram e fizeram-no sangrar. O rapaz viu sair de si, como se o seu corpo chorasse, uma explosão rubra, a paixão dilacerava seu o corpo.
Depois de tudo, nunca mais o vi neste farol. Amara, de natureza itinerante, com o tempo afastou-se daqui e, desta história, tudo que restou foi Carolina, que todas as noites espera sentada na esquina de sempre, que Polaco apareça para fazer um espetáculo.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Inacabado
“Costumo dizer que pessoas estranhas atraem, da mesma maneira como se é, situações ou outras pessoas estranhas. Nem sempre é fácil ser assim e aquela história de que ninguém é normal é uma verdadeira balela. Você percebe isso quando as outras pessoas te olham de rabo de olho ou quando as velhinhas atravessam a rua quando te veem. No entanto, às vezes o trágico é cômico e como a irreverência é uma das parentas mais distantes do tedioso marasmo pode-se tirar alguns bons momentos dessa condição. Eu sou uma daquelas pessoas assumidamente misantropas. Não! Eu não gosto de sair. Não! Eu não gosto de viajar. Não! Tão pouco gosto de praia, sol e loucuras de verão. Tenho um aparato de coisas em casa que substituem o mundo lá fora, inclusive, meus diversos alter-egos transformam-se facilmente em amigos imaginários. Para ser um velho ranzinza só me falta um pouco mais de idade.
Podem acontecer, e de fato acontecem, pequenos lapsos. Rompimentos na integridade basilar da misantropia. Não poderia ser diferente, qualquer forma de perfeição resume-se a mera utopia. E foi nessa ruptura, quando estava deitado no afago de uma melancólica companhia, que vi um homem de aspecto pouco amigável no centro do cômodo que irritado me expulsou da alcova. Tédio é um sujeito mal-humorado, seu jeito intragável deixa-me com os nervos a flor da pele mesmo em suas visitas esporádicas. Não pude acreditar ao vê-lo, quis distância dele, de sua conversa mole, sua preguiça, sua falta de gosto... Ah! Levantei-me bravejando e pus-me para fora de casa. Caminhei em direção a um desses lugares noturnos de praxe: escuro, lotado e com uma música ruim gritante. Mal depositava o peso do meu corpo sob o chão daquele local e uma onda de calafrios e desconforto invadiu minh ‘alma. Olhei para trás pensando em voltar, mas Tédio me esperava na porta. Eu o encarei, franzi a testa e, continuei a penetrar ainda mais naquele universo. Perto do bar, avistei do outro lado de balcão uma mulher de cabelos negros e esguia; do rosto pálido destacava-se um batom tão forte quanto o sangue. Perguntei seu nome – Desespero – ela respondeu enquanto servia o rapaz ao lado. O rapaz tinha os poros de seu rosto banhado em suor, olhos vagos e carregava no rosto um sorriso de incoerência.
Sente-se – disse Desespero voltando-se para o bar – eu vou te dar uma dose de insanidade. Minha cabeça já girava, as luzes piscavam rápido demais; contestei a necessidade de beber algo, mas a voz de Desespero sobressaia a minha. O que vou beber? – perguntei – ela deu de ombros e continuou a mexer em suas grandes garradas vermelhas sem responder. Não demorou muito para estender fronte a mim um drink escarlate dizendo – uma dose do inferno. Segurei a mistura sem muita firmeza e, encarando Desespero, tomei de seu copo como se a desafiasse. Mal acabara de beber quando meu corpo estremecendo caiu para o lado, levantei-me; mal conseguia andar, mas precisava achar a saída. Foi então que avistei Tristeza, uma dama sem expressão e de olhos fundos, parecendo uma noiva abandonada debruçada sobre meu corpo titubeante. Perguntava-me porque havia abandonado seus afagos e trazia consigo uma injeção; um remédio ela dizia, para curar-me do Desespero. E eu sentia as agulhadas pontiagudas de Tristeza. O efeito parecia ser oposto do planejado, de maneira que, em um impulso de sobrevivência, a empurrei junto com seu remédio. Levantei-me, tomei distância e andei como pude para uma área aberta à procura de ar. Mais calmo, observei as pessoas e pude até rir de sua felicidade, sua alteração e embriaguez. Minha pele ainda soava quando aproximou-se de mim um sujeito de preto. Começamos a conversar e, enquanto conversávamos, escutava outras vozes me chamando, mas Tristeza, Tédio, Desespero, foram expurgadas pelo cansaço da espera.
Quando estava calmo o suficiente notei a roupa preta daquele rapaz. Uma batina? Aquilo não poderia ser a única coisa real naquela noite. “
sábado, 25 de dezembro de 2010
ESCORPIÃO
Sempre fui uma mentirosa ao dizer que nunca sofri. Na verdade, eu sofro demais, da mesma maneira como me regozijo. Eles apenas nunca deixaram as coisas serem reais para que eu considerasse a dor verdadeira e a admitisse. Acabamos fazendo, os outros e eu, disso um jogo. Arranhamos os corações um dos outros, sangramos e depois de uma dose e de um comprimido já estamos bem. Acordamos novamente para a mesma rotina de jogatinas de amor esperando alguma espécie de resgate.
Às vezes a covardia inibe as coisas: Onde está aquele beijo que você me negou?
Isso deixa as coisas mais intensas, deixa meu ódio mais vivo e minha vontade mais quente. Faz com que eu pinte retratos lascivos de nós dois na minha cabeça.
Eu sonhei... Eu quis sincronizar nossa respiração e disparar as batidas do seu coração para depois paralisar tudo por um momento. Ataque cardíaco! Eu quis nossos quadris em sincronia, minha mão na sua nuca; meus dedos se enroscando no seu cabelo. Puxe!
Eu quis seus defeitos e sua feiura, afinal é isso que o amor é: cruel. Você quis minha doença e, afinal é isso que o amor é: loucura. A loucura quis o amor, afinal é isso que loucura é: realidade. Beleza, felicidade, calmaria, segurança, aparências, tudo isso é o que o nosso amor não é. Mais ainda podemos ter um pouco de diversão, eu só preciso de uma chance.
Uma chance, não é muito para negar.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Que moço é esse?
Que moço é esse que desatina os meus sonhos;
Que resplandece o prazer dos risos mais risonhos?
Que moço é esse que vem e vai?
Exalando a beleza que não passa, não sai.
Entre o aljôfar do semblante
Exprime o brilho do mármore penetrante.
E sem ao menos notar,
Seus olhos brilham ao falar
Que moço é esse de voz doce e suave?
-Que domina os meus olhos e não sabe.
E nem eu mesma sabia
Que de homem e menino exibia.
Que moço é esse que vaga
Nos raios fúnebres que nunca o apaga?
Que moço é esse que diz e não diz?
Que não quer o que quis?
Que moço é esse que some e aparece?
Que se faz feliz e se envaidece?
Que moço é esse que eu não sei?
Que moço é esse que tanto busquei?
Que moço é esse que é perigo?
-Que desperta desejo, ainda que, amigo.
E de repente, do nada
Diz tudo com a boca calada...
domingo, 31 de outubro de 2010
Prólogo a Shakespeare
Tomei a liberdade de fazer alguns gracejos na minha monografia, dentre eles, fiz um prólogo a Shakespeare, texto que estou colocando aqui. Cito o conto Píramo e Tisbe, parte da mitologia romana que ficou conhecido através de Ovídio em seu livro Metamorfoses. Para ilustrar melhor, coloco também um trecho que explica o conto.
PRÓLOGO A SHAKESPEARE
Estou para Shakespeare como Tisbe está para Píramo, Shakespeare está para mim como Píramo está à Tisbe. Uma fenda na parede do tempo permite que poesia e admiração se comuniquem através de olhares, assim como permitiu o florescimento da paixão entre os amantes. A ruptura com o meu tempo permite que eu me aproxime do seu; a visão é pequena, desfocada e confusa. Ora, é a apenas a visão que a fenda me permite. O lapso da integridade dessa parede, dentro do que posso enxergar, me faz ter a ideia do que é você. Talvez seja uma visão idealizada dentro do que possa ser mostrado nesses centímetros de abertura, mas tudo é sempre muito bem observado.
Vi um homem que pode ser muitos, que pode ser todos. Às vezes, talvez pelo tamanho do buraco, talvez por sua diversidade, sua sombra me confundia com a de outros. Suas falas tinham a mesma força que o satélite lunar, capaz de mudar o percurso das marés. O brilho da sua estrela havia se convertido não só em um ponto na imensidão, mas em um céu inteiro, capaz de iluminar-nos através dos séculos, até os dias atuais. Apesar disso, este homem era homem, e não deus; padecia das mesmas dores, e sangrava como os homens de seu tempo. Tornava-se taciturno com as incertezas de uma época tão inconstante e gozava da mesma euforia que reveste o espírito do novo e da liberdade. Tornou-se fatalmente sombrio em algumas passagens, eram momentos em que sua própria nação encontrava-se em reviravoltas, mas não demorou a reconciliar-se com a literatura, usando novamente o espetáculo de grandes mitos para entreter seu público e adornar suas peças.
PÍRAMO E TISBE
"O conto de Píramo e Tisbe trata-se da história de dois jovens apaixonados que moravam em casas vizinhas. Píramo era o mais belo jovem e Tisbe a mais formosa donzela. Moravam em casas contíguas, da vizinhança tornaram-se cientes de si e deste conhecimento foi gerado o amor entre os jovens. O amor seria virtuoso se seus pais não proibissem seu casamento. Mesmo com esta oposição, o amor dos jovens foi florescendo, conversavam através de sinais e de olhares que tornava o sentimento mais intenso. Na parede que separava as casas havia uma fenda provocada por um defeito de construção. A fenda jamais havia sido notada pelos moradores das casas, mas não poderia ter passado em vão pelos olhos dos amantes que viram na rachadura a oportunidade para se comunicarem. Os jovens se comunicavam todos os dias através desta fenda e concluíram que a única opção que tinham era fugirem de suas casas. Píramo e Tisbe combinaram de se encontrar fora dos limites da cidade, ao pé de uma amoreira branca que encontrava-se próxima a uma fonte. Tisbe chegou primeiro ao local, e, enquanto aguardava Píramo, avistou uma leoa com a boca ensanguentada querendo saciar-se da fonte de água que encontrava-se aos pés da amoreira. Assustada, Tisbe correu para uma caverna em busca de abrigo, deixando seu véu cair sobre a terra. Quando Píramo chegou ao local, não avistou Tisbe, apenas seu véu ensanguentado e as marcas das patas da leoa. Píramo calculou que Tisbe havia sido vítima da leoa e resolveu tirar sua própria vida, a fim de unir-se a sua amada. Quando Tisbe voltou ao local, encontrou Píramo morto por sua própria espada, entendendo a situação e sentindo-se culpada por sua morte, Tisbe tirou também sua vida, de maneira que ao menos na morte o casal pudesse se unir. Segundo a mitologia, o sangue dos apaixonados teria sido derramado ao pé da amoreira as tingindo de vermelho e tornando-as símbolo do amor.
O drama de Píramo e Tisbe é considerado como a grande influência que levou Shakespeare a escrever um de seus mais famosos romances: Romeu e Julieta."
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Skhízo ganhará forma
Em breve, nosso amigo Skhízo ganhará forma em desenho, e também, ganhará uma melodia de Daniel Santiago, vocalista da banda Sambô. Aliás, ele e sua banda têm uma proposta musical muito legal. Eles são, na minha opinião, inovadores e irreverentes. Vou deixar o link do Clipe “Maria lava” do San, vejam como é legal. Os shows do San costumam ser tão visuais quanto musicais, extremamente ricos, com direito a apresentação circense e tudo mais. Seu CD todo “o traço” tem letras feitas com base em contos que encontram-se em seu encarte. Quanto ao desenho do Skhízo e novas estórias, estórias mais descontraídas, vou me reunir amanhã com o desenhista, quem sabe até o final do feriado não temos um esboço dele, e é claro um link com mais trabalhos de seus desenhos, afinal, é sempre muito bom conhecer novos e independentes artistas.
Ai vai, o San:
Antologia Delicatta
Muitos escritores e poetas, artistas em geral, procuram meios legítimos e sérios de divulgar o seu trabalho. No meu caso, com a literatura, uma das formas de expressão que gosto de utilizar, tive a oportunidade de participar de alguns projetos e algumas antologias. Me lembro da primeira antologia que participei, nunca havia feito algo parecido, e; de certa forma, para mim, foi um tiro no escuro. Logo de cara, encontrei o projeto Delicatta, que veio a ser meu modo predileto de participação cultural em literatura. Cheguei a participar de outros concursos, mas este foi o único que me cativou para participar três anos consecutivos, ou seja, desde que o conheci.
A dedicação de sua idealizadora, Luiza Moreira, seja na seleção, edição ou confraternização da antologia, dá um toque especial, que incentiva cada vez mais os autores, que por sua vez, também são extremamente talentosos e solícitos uns aos outros.
No último pré-lançamento do livro, a Antologia contou com diversos elementos culturais como fado, declamação, interpretação e levou seus autores em lançamento na bienal. Por isso, a quem interessar, deixo o link do site: http://www.antologia-delicatta.com/
Espero que gostem!


